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sábado, 26 de novembro de 2011

Lágrima...

Chorou todas as dores passadas e como se pudesse adivinhar o futuro, chorou também as dores que ainda estão por vir.
Mas ao ler o que alguém escrevera sobre ela, os cantos dos lábios se mexeram delicadamente, como se quisessem esboçar um enorme sorriso. O sorriso nasceu, meio tímido, um tanto sem jeito. Mas ninguém podia negar que aquele estremecer de lábios era uma tentativa de trazer o riso a tona.
Há tanto tempo deixara de viver seus sonhos e agora se descobria viva nos sonhos de outra pessoa.
Ela, que transformava seus romances impossíveis em literatura, se viu vestida de poesia pela primeira vez. E aquela sensação de deixar de ser personagem de suas próprias histórias - que eram tão tristes e passar a ser personagem da história de alguém que lhe via por outro angulo, que lhe desvendava como se fosse um mistério, que lhe dava novas formas e gestos - era absurdamente boa e assustadora.
Ainda que os sonhos fossem bons, ela sempre soube que tentar viver só na realidade, era sua maior loucura. Ninguém vive sem ilusões. Mas as ilusões que durante tanto tempo encheram páginas e mais páginas, simplesmente dançaram.
De onde brotava só risos, veio o choro.
A ilusão é bem mais atraente que qualquer realidade. E eu ainda prefiro a realidade nua e crua.
Já não sonho mais, porque sequer consigo dormir.
Ao novo autor de 'mim', me cabe dizer:
Faz de mim, em suas histórias, o que lhe for mais conveniente.


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