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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E se acabar a bebida?

E se acabar a bebida?
Desfaz tua pose de homem sério. E veste aquela camiseta surrada da tua banda preferida. Bebe mais um gole de cerveja enquanto eu acendo mais um cigarro. E tento falar com a cabeça já cheia de álcool, sobre algum assunto fútil e as dificuldades do meu dia-a-dia nessa cidade morta.
Sinta-se a vontade. Você já bagunçou minha vida, não faz mal bagunçar meu cabelo.
E se acabar a bebida?
Mais um gole de cerveja e um brinde a nós dois. Isso soa um tanto irônico, não? E eu adoro tua inteligência escondida nas tuas frases sarcásticas que só eu sou capaz de entender.
Olha nos meus olhos e tenta descobrir tudo aquilo que eu não vou te dizer, porque amanhã você vai me dizer que foi culpa dos goles a mais.
Olha nos meus lábios e analisa esse meu sorriso ensaiado de mulher controlada enquanto a verdade quase salta dos meus olhos, e você não percebe, porque não aprendeu a me ler.
Aproveita esse momento de delírio e me diz aquelas frases prontas que eu amo e que finjo acreditar. Bebe mais um gole de cerveja enquanto eu ensaio o próximo passo para não cair mais uma vez nessa armadilha do destino.
Coloca aquela música do Engenheiros que tocou um milhão de vezes, naquele dia em que você bateu na minha porta pela primeira vez e me trouxe mais cigarros e cervejas para brindarmos nós dois.
E se acabar a bebida, eu me pergunto mais uma vez?
Em quem ou em que, colocaremos a culpa desse encontro sem sentido só pra matar a sede de nós que ficou em você e em mim?
Acende um cigarro pra nós dois. Enche meu copo. Me distrai com alguma piada ridícula enquanto eu rio e finjo achar graça.
Me dá um abraço. Me chama de sua. Me peça desculpas por mais essa recaída. E prometa que isso nunca mais vai acontecer, até que você se sinta perdido de novo e apareça na porta da minha casa, com toda essa cerveja, fingindo querer ouvir meus conselhos para acabar dormindo na minha cama.
E se acabar a bebida?
Agora já é tarde demais. Deita do meu lado, acende mais um cigarro e me empresta o ombro pra eu repousar a cabeça, enquanto você, mais uma vez, bagunça meu cabelo e minha vida.

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