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sábado, 6 de novembro de 2010

Próxima parada: ?


"Algum dia, em algum lugar - qualquer que seja,
infalivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo
e essa, só essa,
pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas."
(Pablo Neruda)

Vim dizer adeus. Adeus pra todos os dias que passaram. Adeus pra todos que ficaram.

Estou de partida. E estou atrasada.

O trem já está saindo dessa estação. Carrego comigo só o indispensável: sorriso no rosto, dois presentes especiais - a medalhinha de Nossa Senhora que ganhei do moço esperto que sabe cativar... ele e a medalhinha fazem parte de bons momentos que não voltam, me trazem lembranças daquela viagem... Roma. E o escapulário que ganhei do moço que sabe sorrir o sorriso mais lindo desse mundo e que soube arrancar os meus melhores sorrisos. Carrego as lições que aprendi com cada erro meu. Carrego a força e a fé que vêm de Deus. O amor que sinto que quase não cabe em mim, transborda. E as minhas duas certezas – a certeza da morte, e a certeza de que o que me pertence virá a mim no tempo exato.

Deixo pra trás tanta coisa. Tudo o que não me serve mais. Jogo fora a máscara que usei tanto tempo pra que algumas pessoas gostassem de mim. Mas eu nunca quis que gostassem de mim, tive medo de que gostassem de algo que eu não era. Tive medo de cativar e me tornar eternamente responsável. Tive medo porque não queria que gostassem de mim sem que antes eu descobrisse quem eu era. E tinha medo, muito medo, de descobrir quem eu era e me odiar por isso. Sei que o momento em que nos conhecemos de fato, pode ser a hora mais amarga de nossas vidas ou a hora mais doce. Foi doce, tem sido doce. E não importa se eu sou muito ou pouco, não preciso mentir. Estou pronta, já sei quem sou. E estou de partida. Deixo pra trás TODAS as mágoas. Pedi perdão a quem devia e fui perdoada, perdoei quem tanto me machucou, ainda que essa pessoa não saiba do meu perdão. E mais importante ainda: eu me perdoei pelos meus erros, pelas más escolhas, pelos fracassos.

Abandonei velhos costumes, velhas manias, certos paradigmas.

Agora, este mundo vai me ver brincar, esse mundo vai me ver sorrir bem mais, esse mundo vai me ver cantar, esse mundo vai me ver brilhar. Vou sem medo. Esse mundo vai ver quem sou.

Não esperem que eu volte, eu vou pra nunca mais voltar.

Desculpem a pressa... última chamada pro trem que me levará pra estação mais doce: a do amor-próprio.

Começo agora uma nova história!


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