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sábado, 27 de novembro de 2010

Aqui jaz!


Coleciono fantasmas, porque nunca enterrei meus mortos.

Numa outra vida cheguei a acreditar que só se vive uma vez, mas não posso mais concordar com isso porque eu mesma já perdi a conta de quantas vezes morri e quantas vezes matei. Admito meus crimes agora, mas confesso não guardar culpa alguma. Todos colecionam fantasmas.

Quando somos incompetentes pra matar o amor, temos que, ao menos, ser competentes pra matar aquilo ou aquele que amamos. Temos que ser frios também, muitos se relutam a morrer e é necessária tamanha violência que faz com o que o sangue respingue em nossas faces.

Há um cemitério onde eu deveria enterrar meus mortos, mas só há covas vazias, milhares de coroas de flores desperdiçadas.

Cometi crimes perfeitos. Meus mortos andam soltos por aí, pois nem sabem que morreram pra mim.

Eu também já morri pra tantas pessoas, por tantas pessoas. Incontáveis suicídios e um único homicídio. Só uma vez eu doí tanto em alguém a ponto de ousarem me matar. Confesso mais uma vez, foi a pior morte. Não a primeira, mas sem dúvidas, a pior. Se fecho os meus olhos, posso ver os olhos dele vermelhos de dor ou de ódio, até hoje não decifrei a fúria daquele olhar. Essa morte me deixou feridas profundas que nunca cicatrizaram, sangram até hoje. E me pergunto se esse sangue que julgo ser meu não é deles, dos meus mortos.

Não quero reabrir velhas feridas, suponho que qualquer esbarrão as fariam sangrar novamente. Em cada ferida fechada existem guardadas dezenas de mortes, centenas de vidas.

Quantas vezes somos capazes de ressuscitar? E por quanto tempo todos esses mortos serão capazes de me assombrar?

Eu rezo todas as noites por cada morte – minha e deles. Peço perdão pelos crimes cometidos e peço que os fantasmas me deixem em paz. Se me descuido eles ainda fazem festa na minha memória e dançam ao som da marcha fúnebre, enquanto eu rio.

Minha mente refugiou-se na loucura quando a razão passou a ser insuficiente. E agora ela ocupa um corpo que eu já nem sei se me pertence.

Carrego um corpo cansado, aceito a morte sem relutar. Que venham as próximas. Grito, mas meu grito soa tal qual sussurro.

Ninguém sabe das minhas dilacerações nem do meu coração habitado por fantasmas que ora escolhem minhas memórias, ora escolhem meu coração como o melhor lugar para se instalarem. Fantasmas estes, que não me deixarão nunca porque fazem parte da minha biografia e estão tatuados na minha alma. Se eu começasse a contar a história da minha vida (ou das minhas mortes) hoje, terminaria numa próxima esquina com mais algum morto estendido ao chão.

Deixo que minhas unhas cresçam para cravá-las em meu próprio peito. E me questiono: para que assassinar o que já está morto?

Preparo minhas armas, me visto de preto então para mais um funeral.

É necessária total frieza e uma dose extra de crueldade para assassinar quem amamos. (Eu teria que escolher entre ele e eu). Algumas mortes são inevitáveis.

Legítima defesa, eu alego, por mais esse crime perfeito, mais um fantasma que habitará minha memória ou meu coração – seja bem vindo! (Aqui jaz mais um amor!)

Sem medo, sem culpa. E não espero pelo Juízo Final, afinal ele se realiza todos os dias!

(Me desculpem a crueldade.
Ao terminar o texto me assustei com tantas palavras pesadas que despejei, mas foi inevitável. Papel em branco, lapiseira em mãos e isso foi tudo o que minha mente foi capaz de pintar no papel. Falei de tantos mortos e não fui capaz de derrubar uma lágrima sequer. Se chorei, chorei palavras e talvez, exatamente por isso, tanto peso explícito em cada uma delas – ainda tem sangue em minhas mãos...)


Taila Ueoka.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Trago sorrisos...


"Passei três dias tentando sentir raiva.

Três noites engolindo o mal a seco.

Deu-se que fiz força, espremi a palavra atravessada,

saiu um RISO.

Valei-me, nasci para a distração."

(Zíris)


Falar com as pessoas que eu amo me fortalece, me dá energia e uma alegria

incomparável. Tenho aprendido a ser feliz nas pequenas coisas. Tenho tido dias

felizes, mesmo quietinhos. Aprendi que pra ser feliz eu não preciso de um

milhão de amigos, de um milhão de festas ou um milhão de doses de tequila.

Aprendi que a felicidade está aqui, ó. Aqui, bem aqui. Não está vendo? Ó. Está

na minha alegria em transformar qualquer sentimento em literatura. Está na

alegria de ser um ser imperfeito e ainda assim amado. Está na alegria de me

embriagar só de amor. Está na alegria de sorrir mesmo sem câmeras. De dançar

sem boates.

Afinal, o que é importante pra você? Pra um mendigo que vive na rua, talvez o

mais importante seja um lar. Eu tenho um lar. Eu tenho vários lares. Eu tenho

portas abertas pra quando eu me sentir sem lugar algum no mundo. Pra um

solitário, talvez o mais importante sejam os amigos. Eu tenho amigos.

Pouquíssimos. Mas escolhi a dedo. Ou eles me escolheram?

Importância é algo muito relativo – como quase tudo nessa vida. Na maioria das

vezes, a importância está na necessidade. Temos que aprender a dar

importância sem necessidade alguma. Eu tenho um lar, uma família, eu tenho

amigos, eu tenho o que vestir, o que comer, eu tenho um corpo saudável, uma

mente incrível que me permite viajar por lugares inimagináveis.

Trago dentro de mim um milhão de sorrisos. E não canso de distribuir por ai. A

troco de que? A troco de NADA. A troco da minha felicidade.

Meu plano de vida está escancarado: SER FELIZ!

Eu caio, eu tropeço, eu ralo o braço, eu perco o chão, eu choro, mas não desisto

de tentar atingir meu plano. E o atinjo, todo dia, entre um tombo e outro.

Quantas vezes eu cai, achando que nunca mais me levantaria? E quantas vezes

eu me levantei, achando que nunca mais cairia?

Felicidade não é utopia, não é ilusão.

Felicidade é o nome do lugar onde me encontro agora. Pode ser que amanhã, eu

já não esteja aqui, pois eu saio, dou uma volta por lugares desconhecidos e

sombrios, e volto. Volto pra onde tem sol.

E celebro todo santo dia o meu direito de ser feliz, de ser boba até. E tatuo no

rosto um sorriso e na boca uma canção e na alma? Na alma, FÉ!

Taila Ueoka.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cores...


"Ela explicava, sorrindo
- um sorriso diferente dos que costumava sorrir..."
[Caio F.]

Olhei pela janela, vi o céu se abrir como passe de mágica e como truque final depois de toda a chuva, pude ver um lindo arco-íris todo sorridente. Arco-íris meticulosamente pintado, suas cores saíram de potes de tintas encantados. Não havia explicação pra tanta vida num arco-íris. Um pouco distante eu vi um panapaná. (Acho feia essa palavra, prefiro cardume que é de peixes, mas hoje eu tenho o direito de mudar até o português, e que venham reclamar, não me importo.) Vi um cardume de borboletas coloridas chegando cada vez mais perto, não de mim, do arco-íris. Conclui que elas queriam se esconder, já que se camuflaram e eu me confundi toda, já não sabia mais o que era borboleta, o que era arco-íris. E eu sorri. Calma, serena. Como não sorria há muito tempo. Achei que tivesse perdido o dom de sorrir serena e calma por nada. E que sensação maravilhosa é essa de sorrir sem motivo nenhum. Preciso fazer mais isso. Anotei na agenda. Tarefa de todos os dias: sorrir sem motivo. Embaixo escrevi: posso sentir que uma coisa boa está prestes a acontecer.

- Não tem jeito, meu bem. . A ordem é essa: primeiro a larva, depois a borboleta ou primeiro a chuva, DEPOIS o arco-íris.


Taila Ueoka.

domingo, 14 de novembro de 2010

Era uma vez...


Eu precisava matar a autora de tantos dramas. Quantas vezes eu tentei recomeçar e tropecei desajeitadamente em tantos entulhos, tanto lixo, tantas cartas, tanta poesia, tantos sonhos, tantos amores, tantos horrores que eu guardava numa caixinha e abria de vez em quando pra me contorcer de desprazer e chorar memórias. Era o meu passado vindo à tona naquela caixinha toda vez que eu tentava dar um passo a frente e pensar só no futuro. Com o tempo eu acumulei tanta coisa, excesso de bagagem que não me acrescentava nada de bom.
Joguei a caixinha pela janela e vi se espalhando no céu declarações de amores que fiz a pessoas que saíram da minha vida, mas não morreram em mim, declarações de amores que me fizeram quando eu ainda confiava em tudo e tais declarações já não faziam mais sentido, já não era mais eu, era a autora tomando conta da minha vida, vi as fotos de um passado distante onde os sorrisos eram sinceros. Bilhetes de cinema, pulseirinhas de balada, papéis de bala, convites de festas, passagens aéreas. Vi espalhado pelo céu lembranças que foram especiais num tempo em que eu não sabia que as recordações mais importantes e que mais marcariam minha vida eram as intangíveis. Joguei também pela janela o que eu guardo na memória, todos os sonhos que fiz e refiz no tempo em que a ficção tomava conta da minha realidade, as cicatrizes que eu trago no corpo e na alma, que eu já não sabia mais se ainda doíam de verdade, vi os horrores que permiti que fizessem comigo sofrendo em silêncio durante meses, datas jamais esquecidas, despedidas, vitórias e fracassos que ficaram pra trás, inclusive uma tentativa frustrada de por fim a tudo. Joguei tudo isso pela janela com a mesma coragem que arremessei a caixinha e foi então que vi no céu uma tempestade desabar diante de memórias tangíveis e intangíveis.
Observando o temporal, me perguntei se ainda sofria de verdade. Vi meus personagens caindo um a um no abismo que um dia eu preparei pra mim. Personagens que ganharam vida à medida que escrevia sobre eles e tomavam o meu lugar, o meu espaço, o meu papel. Comecei a viver minhas dores e todas as outras que inventei. Eu ergui tantas paredes rabiscadas por medo, solidão, desespero, amores perdidos, angústia, loucura. Paredes sólidas que me separavam cada vez mais da vida que eu queria ter. Derrubei todas as paredes chorando como uma criança. Eu havia perdido o controle de mim. Não sabia mais separar o que eu escrevia. Vivia nos meus personagens, e todos os meus personagens eram tristes. Eu tentava reorganizar o passado incansavelmente e viver só o presente, enquanto isso, a autora se agarrava ao passado com tanta força que eu chegava a dar passos pra trás. Andei em círculos. Quando eu desistia e era obrigada a assumir ao mundo que eu havia apenas recomeçado, eu não andava pra frente, eu dava voltas e mais voltas e acabava de novo do mesmo ponto de partida.

Descobri em mim uma mulher incrível, mas ainda estava amarrada ao passado. Pra acabar com o passado eu tinha que matar a autora que persistia em escrever sobre ele e sobre mim quando eu ainda não havia encontrado uma definição exata. A autora me definia como uma pessoa indefinida. E definir é aprisionar. Estava aprisionada na visão da autora como alguém que não sabia quem era, que tinha medo de tudo, que tinha medo de desagradar, que não confiava em si, que não sabia do potencial, alguém que nasceu para amores impossíveis, para sentir amor e não viver um grande amor, alguém que não nasceu pra ser amada. Tudo invenção de uma autora maluca, e eu me sentia tão pesada e presa às definições que ela havia me dado, e mesmo deixando de acreditar nos personagens que ela inventou, eu ainda vivia de acordo com o que a autora escrevia...
Uma base bem feita impede o desmoronamento. E minha base era fraca demais, por isso desmoronei tantas vezes e fui fazendo retoques e remendos que não duravam tanto tempo. Só então me dei conta que a implosão de uma estrutura inteira é a coisa mais sábia a fazer em determinados momentos. Não bastava encerrar um capítulo e começar outro, eu tinha que por fim no livro.
Empurrei a autora pela janela junto com sua caneta e seus papeis, suas histórias e todo o drama que ela havia inventado. Ainda escutei seu grito de socorro antes de chegar ao chão. Fiz de conta que não ouvi.
Fim desse livro.


Taila Ueoka.

sábado, 13 de novembro de 2010

Abismo


Ontem, caminhando pela beira do rio, eu pensei que,
se desse dois passos e um impulso no corpo,
em breve tudo estaria terminado.
[Caio F.]


Ela já nasceu com essa predisposição de se jogar num abismo. Sempre esteve a beira dele. Uma única vez ousou dar um passo a frente. Quando se jogou os anjos voaram com toda velocidade e antes que ela chegasse ao fundo do abismo a resgataram e a trouxeram de volta a tona. Nenhuma pessoa notou que o passo que ela deu já estava sendo ensaiado há tempo. As pessoas não notam o que se passa na vida de outras pessoas. Cada um já tem problemas demais para olhar pro outro e entender um pedido de socorro que é feito só com o olhar. Os olhos gritaram a vida toda. A vida toda ela esteve à beira do abismo. Alguns tentaram afastar, colocar uma distancia entre o abismo e ela. Mas era o abismo que voltava pra perto dela e não ela que ia onde ele estava. Talvez o mais certo seria dizer que o abismo sempre esteve a beira dela. Ela fugiu pra tão longe. O abismo foi junto. E o abismo grita, chama seu nome. Faz promessas tão sedutoras que nenhum ser humano foi capaz de lhe fazer. Tem argumentos tão convincentes. Ela tapa os ouvidos, ela fecha os olhos, ela tenta gritar. Nada adianta. Ela olha pra todos os lados, só há abismo. E mais uma vez seus olhos pedem socorro. Mas ela não quer ser salva. Não existe maneiras de salvar alguém da loucura que inventou, ou do destino. Ela já se convenceu que se não for hoje, um dia será. Um dia ela se rende aos encantos do abismo e dá um passinho a mais. Não há mais anjos pra resgatá-la agora. Um passo a mais e tudo acaba pra sempre. Sem dor, sem passado, sem sofrimento, sem loucura, sem perdão, sem fracasso, sem conquista, sem nada.

Quem quer ser salvo pede ajuda, quem não quer não fala nada, só ensaia o próximo passo.
(Já é tarde demais pra salvá-la!)

Duas linhas


Eu prometi escrever pro moço que canta.

Mas só consegui falar do moço que sorri.


Taila Ueoka.

1,2,3 e Já!


Primeiro você cai num poço.
- Mas não é ruim cair num poço assim de repente?
No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço.
O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço.
A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço.
- Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim?
-A gente não sente medo?
A gente sente um pouco de medo mas não dói.
- A gente não morre?
A gente morre um pouco em cada poço.
- E não dói?
Morrer não dói. Morrer é entrar noutra.
E depois:
no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.
[Caio F.]


Agora é pra valer!

Depois de um surto. Exclui todas as minhas contas em redes sociais. Não quero mais saber de gente por um bom tempo. Chega de ficar em cima do muro, de ser agradável e ingênua. Um pouco de agressividade não faz mal a ninguém.

Me dou o direito de recomeçar, sem lembranças, sem recordações, e o mais importante SEM PASSADO.

Sei o quanto é importante todo o meu passado. Mas perdi muita coisa. E andava sentindo muita saudade do que perdi e queria de volta, queria tudo de volta. Não quero mais, já doeu uma vez, e foi o suficiente. Perdi também partes irrecuperáveis de mim. Reavaliei alguns dos meus mais valiosos conceitos. Decidi e decretei que a partir de hoje a parte de mim que se perdeu NÃO VOLTA NUNCA MAIS.

Juro que procurei todos os meus pedaços espalhados pelo caminho que percorri. Tentei contar os passos, não consegui. A verdade é que pra uma garotinha de 22 anos eu já andei demais.

Eu morri tem tanto tempo. Morri 10 vezes, ressuscitei 20. Mas a cada ressurreição eu voltava incompleta e cada vez mais insatisfeita por não me encontrar.

Não quero mais me encontrar. Volto a reafirmar que aprendi a me amar do jeito que sou. IMPERFEITA e INCOMPLETA.

Reavaliando conceitos entendi que andei me doando demais. E paguei o preço. Não aceito devolução. Se acharem algum pedaço meu jogado por aí, não me avisem.

E não me peçam pra voltar porque o que ficou pra trás foi justamente o que me fez partir.


Taila Ueoka.

Sobre a memória



"Foi quando eu senti mais uma vez
que amar não tem remédio."
[Caio F.]

Ele, o homem que eu amo, pediu com tanto carinho pra que eu o esquecesse que eu decidi obedecer. Não foi uma imposição, se fosse continuaria obsecada por lembrar. Não foi uma agressão, nenhuma palavra de baixo calão, se fosse eu revidaria com muitas outras. É, me pediu com tanto carinho e educação que eu decidi realmente esquecê-lo.

Entendi o meu medo de perdê-lo pra sempre. Que medo mais estúpido. Primeiro que só podemos perder o que temos, segundo que, como perder pra sempre algo que não teríamos NUNCA?

Eu achei que meu coração fosse burro. Mas meu coração é inteligentíssimo. E cada vez se torna mais. Um dia ele deixará de aprender com suas próprias más escolhas e se tornará sábio o suficiente pra aprender com os erros alheios. Enquanto ele não atinge esse tão alto grau de inteligência (talvez não atinja nunca, seria pretensão demais achar que meu pobre coração seria capaz de chegar a tal ponto), ele precisa de más escolhas. Más escolhas geram decepção, decepção gera aprendizado, aprendizado gera experiência e experiência faz com que façamos boas escolhas. Genial!!! Seria mais genial se isso não levasse tanto tempo pra acontecer.

Já recebi tanto conselho imbecil. Todo mundo tem um conselho idiota pra oferecer, inclusive eu. Mas não existe receita ideal quando o assunto é amor. Lançam um milhão de livros com receitas infalíveis pra conquistar alguém, pra esquecer alguém, e pior ainda, vendem-se milhões de livros com o intuito de ensinar a amar certo. O amor é o grande mistério da humanidade. E vejam bem, a humanidade avança tanto, evolui tanto em tantos aspectos, mas continua burra quando o assunto é amor. Mais ainda, burra e capitalista. Querem vender amor. Eu tenho dó de nós humanos, que vivemos num mundo onde o amor pode ser comprado, melhor, num mundo onde acreditam que amor é negócio. Tolos. Um bando de tolos.

(Esse texto está confuso porque a autora esta bêbada e seria muito mais conveniente se a autora separasse por assuntos e montasse um texto que pudesse ser compreendido, mas a autora quer apenas desabafar e não vai mudar NADA do que está escrito, ou do que ainda virá pela frente. E mais, a autora não está nem ai se você vai achar esse texto ridículo como todos os outros desse blog, ou todos os milhares de texto que ela já escreveu e ninguém soube da existência dos mesmos. Ela está achando lindo e a opinião dela conta muito mais, isso agora, já que antes, quando ela ainda não conhecia um fulaninho chamado amor-próprio ela não faria isso, aliás se fosse antes, não haveria esse comentário ridículo no meio do texto, que atrapalha ao invés de ajudar, mas ela quis compartilhar com vocês toda a confusão que está na cabeça dela nesse momento e não só porque está bêbada, mas sim porque tem grande dificuldade de seguir um raciocínio até o fim, já que seus pensamentos vivem bêbados, mesmo quando ela está sóbria.)

A cada cem pessoas que me dão conselhos, 90 delas dizem: sai, vai pra balada, bebe todas. Eu tenho que rir. Eu juro que eu tenho que rir. Eu não quero esquecer momentaneamente. De que adianta ir pra balada e beber todas até esquecer da vida, e acordar no outro dia com ressaca e ainda, lembrando dele do mesmo jeito? Se é pra esquecer que seja pra sempre. E pra esquecer pra sempre, eu preciso do tempo. Não de bebida, não de balada, não de festas, não de outros caras.

Já viram uma borboleta? Todo mundo já viu, né. E todo mundo já deve ter lido ou ouvido falar que se você tentar tirar uma borboleta do casulo quando a vê se debatendo, você não agiliza o processo, pior, você a mata! Sim, o tempo que ela passa no casulo sofrendo, se debatendo, é o tempo que ela precisa pra sair de lá linda e forte. Não me venha com auto-conhecimentos redentores, eu não quero ser salva por ninguém. Eu quero me salvar. “O processo é in, não out”, como diria o meu autor preferido. É, eu preciso disso, esse tempo de luta pra esquecê-lo vai me preparar. Estou num casulo agora, não me atrapalhem tentando ajudar. Eu quero chafurdar na dor, se for necessário, pra sai dela exuberante. Não quero conselhos. Não quero receitas. Recuso qualquer tipo de aproximação. Por isso fugi de todo mundo. Ou não entenderam ainda? A minha maneira de me salvar é ficar só. Até porque eu não preciso de ninguém, porque NINGUEM, alem de mim tem a chave pra me tirar desse casulo.

Ele pediu com carinho, sem ponto de exclamação no fim da frase. E em troca de TANTO carinho, eu vou obedecer. Porque querem saber de uma coisa, infelizmente (ou felizmente – tudo depende do ponto de vista) eu não nasci pra sair quebrando regras. Eu nasci pra andar na linha. Ainda que isso seja a pior besteira do mundo. Vou esquecê-lo. O tempo vai levar de mim a voz dele no meu ouvido me chamando de nenê. O tempo vai levar de mim o gosto dele. O tempo vai levar de mim a imagem do sorriso mais lindo que eu já vi nessa vida. O tempo vai levar de mim essa vontade de cuidar da filha dele. É, eu tenho fé. E depois de um pedido TÃO carinhoso como esse, não é possível que meu coração surdo, cego e mudo, não tenha entendido.

- Querido coração tão inteligente, não me decepcione. Nós sabemos de tudo. Eu não tenho pressa. E uma hora a gente aprende, uma hora a gente aprende! To contigo e não abro!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Melodias inaudíveis...




e

[Caio F.]


Ninguém nunca falou, mas nos amamos. (conjugado dessa forma, no presente e no passado) Cada qual no seu lugar. Nos amamos em silêncio. Ele nunca me disse. Eu nunca falei. E nós dois sempre soubemos.
Passei tanto tempo achando que havíamos nos conhecido no tempo errado, que se fosse antes teria sido diferente. Sei que ele também pensou isso. E hoje sabemos que nos conhecemos no tempo certo. No tempo exato. Não podíamos interferir o fluxo de vida do outro. Estávamos fadados a conviver com o algo que não sairia jamais dos nossos pensamentos. Então fizemos a melhor escolha. Cuidamos um do outro à distância.
Não há história de amor mais real que essa, que nunca existiu.
Por trás de cada promessa não feita, de cada beijo não dado, de cada música que não escutamos, de cada filme que não assistimos, de cada carinho que não trocamos, a admiração que sentíamos um pelo outro só cresceu.
Ninguém, além de nós dois, poderá contar essa história. Na verdade, nem nós dois poderíamos contar uma história que só existiu no papel. Fomos personagens de uma história que não saiu do papel. Fomos rascunho.
Diante de tudo o que era proibido, aceitamos nossos lugares. Vivemos nossas vidas, cada qual no seu lugar. Nunca ousei interferir ou mudar o rumo da história dele, e ele fez o mesmo. Assumimos nossos papéis. Não participaríamos do mesmo filme. Ficamos de longe observando o desenrolar de cada cena da vida um do outro. Fomos platéia.
Vibro com suas conquistas, me entristeço quando algo em sua vida dá errado. Falo no singular, falo por mim. Mas sei que com ele também é assim. Torcemos um pelo outro. No plural.
Arrumamos um jeito sereno de fazer parte da vida um do outro. Somos amigos.
Porque eu sei que ele me entende como ninguém. Me dá conselhos, segura minha mão, me empresta o ombro pra eu chorar, me conta historias pra dormir, me faz rir, me diz que vai passar. Ele é meu porto seguro. E será. Seguiremos nos protegendo, cada um no seu lugar. Eu não caberia no destino dele, ele não caberia no meu destino. E ainda assim, eu sei que é ele que me entende como ninguém. É pra ele que eu conto sobre minhas duvidas, sobre meus medos, sobre meus amores. Ele me lê. Lê o que eu escrevo e gosta. Eu sei que ele gosta. Já escrevi isso em um texto. Aqui sou eu, vestida de mim. Aqui sou eu, sem máscaras. Aqui são meus pensamentos mais secretos, ainda que inventados. Porque perto dele eu sempre pude ser eu mesma sem medo algum. Sem medo de assustá-lo. Ele jamais se assustaria.
A minha falta de maturidade sempre encontrou abrigo no excesso de maturidade que eu vejo nele. E o seu excesso de maturidade sempre encontrou abrigo na minha falta de maturidade, na minha mania de querer ser criança pra todo sempre, e de fazer bico e birra, e de bater o pé quando quero algo.
Diante de tudo que era proibido, encontramos um lugar seguro pra cuidar um do outro. Seguimos nossas vidas fazendo o que era certo, o que devia ser feito. Soubemos desde o primeiro momento que nossa história só existiria nos meus livros. Nossa história, eu escrevo. Ele lê. E é só isso. Mas isso é tudo, entende?
Continuo escrevendo, continuo ouvindo nossas músicas que marcaram momentos. Melodias inaudíveis que meu coração sabe de cor e salteado. O dele também sabe, eu sei.
Não temos contrato, não fizemos promessas, não temos dever nenhum, mas cuidamos um do outro da maneira que nos cabe e seguimos nossos caminhos. Assistimos e vibramos com a história um do outro. E será assim até o resto de nossas vidas. Eu sei.
Diante da impossibilidade, inventei outros amores. Aprendi com ele, que o pior sofrimento é não sofrer por amor. E aprendi mais. Todos os amores são eternos, e não temos uma vida inteira pra amar uma só pessoa. Seria um desperdício.
De todos os amores que existiram (ou não), esse é o mais bonito: um amor que não encontrando espaço pra crescer livre, se vestiu de amizade pra crescer pra sempre...

Taila Ueoka.

sábado, 6 de novembro de 2010

Próxima parada: ?


"Algum dia, em algum lugar - qualquer que seja,
infalivelmente, encontrar-te-ás a ti mesmo
e essa, só essa,
pode ser a mais feliz ou a mais amarga das tuas horas."
(Pablo Neruda)

Vim dizer adeus. Adeus pra todos os dias que passaram. Adeus pra todos que ficaram.

Estou de partida. E estou atrasada.

O trem já está saindo dessa estação. Carrego comigo só o indispensável: sorriso no rosto, dois presentes especiais - a medalhinha de Nossa Senhora que ganhei do moço esperto que sabe cativar... ele e a medalhinha fazem parte de bons momentos que não voltam, me trazem lembranças daquela viagem... Roma. E o escapulário que ganhei do moço que sabe sorrir o sorriso mais lindo desse mundo e que soube arrancar os meus melhores sorrisos. Carrego as lições que aprendi com cada erro meu. Carrego a força e a fé que vêm de Deus. O amor que sinto que quase não cabe em mim, transborda. E as minhas duas certezas – a certeza da morte, e a certeza de que o que me pertence virá a mim no tempo exato.

Deixo pra trás tanta coisa. Tudo o que não me serve mais. Jogo fora a máscara que usei tanto tempo pra que algumas pessoas gostassem de mim. Mas eu nunca quis que gostassem de mim, tive medo de que gostassem de algo que eu não era. Tive medo de cativar e me tornar eternamente responsável. Tive medo porque não queria que gostassem de mim sem que antes eu descobrisse quem eu era. E tinha medo, muito medo, de descobrir quem eu era e me odiar por isso. Sei que o momento em que nos conhecemos de fato, pode ser a hora mais amarga de nossas vidas ou a hora mais doce. Foi doce, tem sido doce. E não importa se eu sou muito ou pouco, não preciso mentir. Estou pronta, já sei quem sou. E estou de partida. Deixo pra trás TODAS as mágoas. Pedi perdão a quem devia e fui perdoada, perdoei quem tanto me machucou, ainda que essa pessoa não saiba do meu perdão. E mais importante ainda: eu me perdoei pelos meus erros, pelas más escolhas, pelos fracassos.

Abandonei velhos costumes, velhas manias, certos paradigmas.

Agora, este mundo vai me ver brincar, esse mundo vai me ver sorrir bem mais, esse mundo vai me ver cantar, esse mundo vai me ver brilhar. Vou sem medo. Esse mundo vai ver quem sou.

Não esperem que eu volte, eu vou pra nunca mais voltar.

Desculpem a pressa... última chamada pro trem que me levará pra estação mais doce: a do amor-próprio.

Começo agora uma nova história!