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domingo, 10 de outubro de 2010

Pra você guardei o amor...




“Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas,
dos muitos tombos, embora sempre os tenha evitado.
Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes
para despertar a suavidade alheia.
E mesmo assim, ainda insisto"

e

Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia.
De repente a coisa começou a desacontecer.
Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono,
falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro).
Agora está passando:
um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem.
Ou: que se há de fazer.
[Caio F]





Todo sentimento vira poesia ou prosa. Se me seguro pra não chorar, minhas lágrimas viram palavras no papel em branco, se me seguro pra não explodir em raiva, meu sangue que ferve vira palavra que mancha o papel, se me seguro pra não gritar de tanta alegria, meu grito ensurdece e vira tinta que colore o mundo.

Pessoas sem sentimentos são incapazes de escrever porque o que impulsiona o escritor são exatamente estes – benditos ou malditos – sentimentos.

Será que em algum momento ele chegou a acreditar que teria um coração, entendo que nem todo mundo é forte o suficiente pra entregar seu coração a alguém. Se ele já teve um, quando lhe devolveram sangrando e ele não teve coragem de remendar, de costurar, de tentar colar, orgulhoso que é, deve tê-lo jogado no lixo. Não tem outra explicação, embora eu tenha desistido das explicações.

Ele sabe que o lugar dele no meu coração pra lá de remendado, pisado, maltratado e no tanto intacto, ainda está guardado e estará pro resto da vida. Porque o mal de se entregar o coração pra alguém, não é só quando o devolvem em frangalhos, é que mesmo em frangalhos ele bate por aquele que tanta dor lhe causou, é assim na maioria das vezes.

Ele não tem culpa, definitivamente, não tenho por que querer perdoá-lo por mais essa noite em claro. Claro que não, quem precisa de perdão sou eu, embora eu não mereça.

Quando você decide ser forte e assume o risco, você tem que ir até o final e suportar todas as conseqüências que um dia foram prazeres.

O coração no peito chorando porque em algum momento (ou em todos) esse alguém a quem se entregou o coração o fez bem. Mesmo que já não faça mais.

Ele foi embora, me pediu pra descer do seu carro, pra sumir da sua vida e eu fiz. Eu obedeci. Sumi de perto. Mas eu sei que não sumi de dentro da cabeça dele. Ouçam bem: cabeça, já que coração ele não tem.

Será que em algum momento – nem que fosse por pura piedade – ele não pensou que eu estaria acordada esperando pra falar com ele?

E o fato dele não ter pensado não lhe transfere uma culpa que é exclusividade minha.

E ele conseguiu o que tanto queria, finalmente irei deixá-lo em paz.

Porque não me convém mais, procurei por todos os cantos o coração do moço, mas ele não me ajudou a procurar, porque não queria que fosse encontrado, não queria voltar a sentir.

Esse pequeno vazio no peito é o vazio que ele sentiu desde o dia em que jogou seu coração no lixo, não é saudade. Então ele não precisa se preocupar, esse vazio sempre existiu, eu não causei nada disso. Essa dor que parece saudade, é orgulho ferido, é dor de perda, de saber que tinha alguém nas mãos, e que esse alguém lhe faria o improvável pra fazê-lo feliz e esse alguém também desistiu dele.

Esse alguém que sou eu, que esqueci de mim, esqueci do amor próprio e aceitei migalhas vindas dele. Raspas e restos NÃO me interessam MAIS.
Ele vai seguir por ai, vai beijar muitas outras bocas e provar beijos melhores e piores que o meu, vai sair por ai saciando seu desejo em outros corpos que lhe trarão, algumas vezes mais, outras vezes menos prazer, mas que no entanto saciarão sua vontade. Sexo se encontra em qualquer esquina hoje em dia.

E eu só posso garantir com toda a segurança que eu nunca tive, que nenhuma dessas outras mulheres que passarão por ele teriam a coragem, o dom e o desejo insano de lhe fazer o homem mais feliz do mundo, porque eu sei que nenhuma delas vai amá-lo tanto quanto eu o amo.

Eu quis lhe dar o mundo, mas que ingenuidade a minha, ele já tinha um mundo e eu não podia entrar nele.

Desisto de procurar o coração dele, desisto.

Ele que me avise, se um dia, distraído por ai, o encontrar!


Taila Ueoka.

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