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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pra sobreviver, eu brinco com as palavras...


"Toda poesia é uma despedida.
Você disse adeus e deixou em mim um vazio descomunal.
Desde então, encobri minha dor com um manto azul:
um amor e uma mágoa.
Eu lavei meu rosto com palavras triste quando acenou-me tchau.
De vez em quando,
todos os olhos se voltam contra meus passos distraídos.
No fundo, a espera que eu seja algo maior que eu sou..."
[Caio F.]


Ele falou pra eu seguir meu caminho e ficou pra trás.
Antes de partir, ele me disse há-Deus. Eu curvei a cabeça como quem reza.

Não rezei.
Peguei minhas malas e parti. Partida em mil pedaços.
Chorei.

Segui meu des(a)tino. Fui indo sem saber direito aonde iria chegar.


Inventei um céu e um inferno que me abrigam toda vez que o mundo real não me agrada.

E a verdade é que eu não suporto a realidade. Ela me faz mal.

E eu fico aqui pensando nele...
Ele me dói de vem em quando.

Ele me mantém viva sempre.

Ainda guardo na memória as palavras bem-ditas que caíram da boca dele naquela despedida.

Elas se espatifaram no chão do meu quarto, no mesmo segundo em que ele recobrou a lucidez e me pediu pra esquecer e chutou cada uma delas pra bem longe.

Juntei os cacos - das palavras e os meus.


E quando o que invento me faz mal, me seguro naquelas palavras pra sobreviver. Pra sobreviver, brinco com as palavras.

E agora, minha cabeça insana(–)mente, diz que vai passar.

E minha alma declarada(–)mente, diz que eu vou suportar.

Me perco no passado – me perdia.

Me perco no futuro – me perderei.

Mas, no presente eu amo. (Se ele me amasse também...)
E eu esqueço o pretérito imperfeito e invento um futuro mais que perfeito onde existe um Deus. Não um adeus. Onde, finalmente nos amamos. Assim, no passado e no presente. Como se fossemos condenados a nos amar pra sempre.

Mas isso não passa de invenção. Porque eu invento o que me salva e invento o que me mata.

E me encontro sozinha, longe de tudo o que eu amo com uma dor que eu não inventei.

E choro!
As lágrimas escorrem pelo meu rosto e chegam a minha boca.

E eu constato: elas tem gosto de sal. De sal-dade!

Taila Ueoka.

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