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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para ser poeta basta ser triste.



"(...)
ainda pensou: gosto tanto de você, baby.
Só que os escritores são seres muito cruéis,
estão sempre matando a vida à procura de histórias.

Você me ama pelo que me mata.
E se apunhalo é porque é para você,
para você que escrevo — e não entende nada.
[Caio F.]



Essa menina estava estranha, seus amigos já não a reconheciam
Há tempos ela não escrevia tanto. Há tempos ela não amava tanto.
Não tinha mais sorriso no rosto e isso causava espanto
E agora, todo dia, ela corria pro papel pra transformar dor de amor em poesia.

É que só então percebera: matéria-prima de poeta é o amor.
E, será que ainda há alguém que duvide?
Se alguém por ai encontrar rima melhor que a dor,
Que avise todos os poetas, que espalhe a notícia...

Descobrira tarde demais que para ser poeta basta ser triste.

Já dizia o poeta:

“É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristez
a
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não”

E agora, ela deixara de ler, porque a mente exausta mentia.
Jurava que já estava bem, mas a lágrima ainda caia,
Porque lá fora o sol brilhava pros outros,
Dentro do seu quarto, nuvens carregadas de tristeza anunciavam chuva por vários dias...

Falta de chuva maltrata, mas chuva em excesso judia
Pra cada palavra uma lágrima,
Era esse o preço que se pagava por não cuidar bem do coração.
E a previsão do tempo ainda prometia: Céu escuro/saudade/dia cinza/solidão/casa vazia

É, descobrira tarde demais que para ser poeta basta ser triste.

E mais uma vez o poeta:

"Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"

E a rima que nem era esperada, simplesmente acontecia,
Essa menina nunca foi de rima, meu Deus.
E agora deu pra cismar que é poeta
Aprendera lendo nos livros e agora ela própria escrevia.

Quanta matéria-prima, meu Deus. Essa menina não vai parar de escrever mais não!


Taila Ueoka.

(Em itálico, trechos da música Samba de Bênção de Vinicius de Moraes)

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