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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

E o que vai ficar na fotografia...



"Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando.
Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia
que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome.
Sobretudo à noite, aos domingos.
Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido,
e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver:
uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido.
E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa.
Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço,
quando estou só e tenho medo. Sorrio, então.
E quase paro de sentir fome."
[Caio F.]




Só há um jeito de parar o tempo. Eu descobri...

Embora você não saiba, eu tenho fotos suas escondidas pela casa. Beijo-as todas as manhãs assim que acordo e todas as noites antes de dormir. Ritual.

Olho pro céu e agradeço. Minha memória não falha nunca, só esquece o que me faz mal, portanto o que deve ser esquecido.

Fotografei seu sorriso naquele dia em que te seqüestrei. Fotografei suas mãos passeando pelo meu corpo. Fotografei suas costas largas enquanto dormia. Fotografei seu choro na despedida. Fotografei sua embriaguez no dia em que cortou o dedo. Fotografei sua cara de prazer numa daquelas noites. Sem câmera. Guardei tudo no lugar mais seguro, onde ninguém poderá tirar de mim. Nem eu conseguiria, mesmo que quisesse. Impossível rasgar memórias, impossível queimar lembranças, impossível jogar fora o que minha mente registrou.

De todos os retratos, gosto mais do seu sorriso. Sinal de que era feliz comigo e não sabia.

Você não gostava muito de fotos... e mal sabe que eu tenho você inteiro gravado na memória.

Te prendi nas melhores lembranças e você vai comigo onde quer que eu vá.

Taila Ueoka.

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