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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Coleciono histórias


"Repito sempre: sossega, sossega
- o amor não é para o teu bico."

[Caio F.]



Um dia me disseram que eu tinha alma de escritora. Deve ser por isso que insisto em amores impossíveis. Sofro, choro e escrevo, pra depois sorrir lendo o que escrevi pra alguém que nunca vai ler nada disso e ainda que leia, pela falta de sensibilidade, vai rir e achar loucura.

E não é loucura. Loucura seria guardar tudo isso dentro do meu peito. Minhas ilusões gritam pra serem exteriorizadas, elas querem o papel, e se jogam. No meu mais alto grau de desespero, elas despencam, uma a uma, pra morrerem numa folha de papel.

Fujo da loucura e te transformo em poesia, poema, conto, crônica, histórias, piadas até. Não tem melhor jeito pra esquecer um homem do que transformá-lo em literatura.

Não escolhi meus amores, nunca tive o dom de escolher. Ninguém tem esse dom. Acho que ainda que tivesse, escolheria os impossíveis. Minha alma inquieta me faz entrar em relacionamentos imaginando as histórias que eles podem render.

Inventei meu amor por você. Inventei sua indiferença por mim. Inventei tudo pra poder alimentar minha mente cansada das minhas últimas aventuras que não rendiam material suficiente pra que minhas ilusões quisessem o suicídio e fossem enterradas num papel em branco.

Talvez um dia isso me renda algo mais que lembranças e funerais.

Tenho um álbum sem fotografias que revela a história da minha vida e da minha falta de sorte no amor, onde coleciono histórias de amor que só existiram na minha imaginação e que nunca chegaram a se tornarem reais de fato.

Se eu tivesse sorte, não teria o álbum.

E talvez eu não troque o álbum por nenhuma história de amor real.

Taila Ueoka.

2 comentários:

  1. Você coloca um açucar nas palavras que atraem formigas como eu até aqui. Adorei, adorei..

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