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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mais uma dose!

"Nunca, jamais diga o que sente.
Por mais que doa, por mais que te faça feliz.
Quando sentir algo muito forte,
peça um drink."
[Caio F.]


- Uma dose de tequila pra esquentar e afugentar os problemas!
(Aquele velho ritual de sempre: sem limão sem sal... um gole, um chiclete, um cigarro.)

Logicamente, irão me dizer que beber faz mal, que fumar faz mal...
Quem me conhece sabe que não sou o melhor exemplo de alimentação saudável e estou bem longe de ser eleita a garota-geração-saúde. Por que vocês estão preocupados comigo?

Quem se preocupa com alguém que pra suportar os dias difíceis - como tem sido esses últimos - passa o dia inteiro tomando pó de guaraná pra se manter acordada e rivotril à noite pra conseguir dormir?

- Faz frio ainda e peço mais uma dose de tequila. Fumo um cigarro atrás do outro.

Começa a me faltar concentração, no entanto minha inspiração voa a mil por hora.

Faz frio, faz chuva, faz sol, faz tempo...
E sinto algo que não sei explicar: mais que lembrança, mais que vontade, mais que saudade dos dias que ficaram pra trás e que se perderam irremediavelmente. Na verdade, sei muito bem o que sinto, sei muito bem explicar... deveria ter vergonha de dizer que o que sinto agora é desejo? Me desculpem, sinto muito por dizer a verdade! Não me importo com o que vão pensar de mim.

- Mais uma tequila!

O frio começa a passar e ainda insisto em te querer e me assumo inteira sua.
Procuro meu celular... sabendo que não é nada inteligente de minha parte. Não consigo pensar muito a ponto de parecer inteligente – a tequila começa a fazer efeito.
Quero te ligar, mas não vou me render a um desejo que passa amanhã, porque sempre passa, eu sei. E sei mais, enquanto eu te imploro pra voltar – não só pra minha vida, mas pra minha cama – você me implora pra te deixar em paz!

Estou aqui pra dizer sem piedade tudo o que eu penso, quero cantar as músicas que eu ouvia enquanto seu abraço ainda estava ao meu alcance, quero confessar meus pecados, quero uma lista dos crimes que me acusam de ter cometido – mas, meu bem, já dizia a canção: ‘crimes perfeitos não deixam suspeitos’ (essa música não me sai da cabeça agora.), quero que suspeitem da minha sanidade, quero que atestem minha falta de lucidez. E quero que fique bem claro: eu penso muito em você.

Não encontro meu celular e te quero.

- Tequila!

Certo, ninguém tem a obrigação de satisfazer o meu desejo, só porque eu acho que meu desejo é absoluto!

Acho que nunca fui tão direta em toda minha vida! Escrevo pra que você me leia. E não entendo mais o que escrevo, minha letra sai tremida no papel. Faz calor e eu tremo. E eu temo. E eu peço: devolva-me minha lucidez!

Na cabeça: ‘pra ser sincero não espero de você mais do que educação beijo sem paixão crime sem castigo aperto de mão um dia desses num desses encontros casuais talvez eu diga minha amiga pra ser sincero prazer em vê-la até mais crime perfeito crime perfeito crime perfeito’.
Versos soltos ecoam minha mente e se misturam num turbilhão de pensamentos, sentimentos, ferimentos, lamentos, remendos. E o que sobrou de mim? Só poderei contabilizar depois que o furacão passar. Me despedaço, me despeço, meço minha dor com fita métrica.

- Meia dose de tequila. Só meia porque o cigarro já está acabando. E agora começa o desespero.

Tenho tentado fugir da dor me apegando ainda mais àquilo que eu trago de ruim. Trago o último cigarro com tanta vontade, que meu desejo de você quase se esvai e dá lugar ao meu vício. Quase. Eu não aprovo minhas atitudes. Não aprovo meu jeito de continuar. De fugir do mundo pra fugir da dor e me manter anestesiada. Te troquei por outros vícios.

Não durmo direito, não como direito... sobrevivo, esperando que isso passe logo.

Lembrei-me agora de quando viajava com meus pais, eu no banco de trás perguntando de meia em meia hora: “ta chegando?” “Falta muito?”... São essas, as perguntas que eu faço ao tempo. Mas ele só resmunga – nenhuma resposta.

Estou meio tonta e sinto sua falta. Imploro por um beijo e sei que você não vai voltar.

- Chega de tequila!


Taila Ueoka.

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