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sábado, 25 de setembro de 2010

Guardo pra te dar as cartas que eu não mando...


“Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos,
todas as neuroses, todas as inseguranças,
toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas,
peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito,
saltos altos, maquiagem e risadas altas.
Ninguém nunca a viu tão nua e transparente como ele,
ninguém nunca soube do seu medo de nadar em lugares muito profundos,
de amar, de se perder, de não ser boa o suficiente.
Só ele viu seu corpo de verdade, sua alma de verdade,
seu prazer de verdade, seu choro baixinho embaixo da coberta
com medo de não ser bonita e inteligente.
Só para ele, ela se demonstrou inteira
porque confiou que ele gostaria dela mesmo ela sendo tudo o que ela é.”

e mais:

' Mas não me queixo.
O amor que sinto pelos outros quase sempre é suficiente,
não precisa nem ter volta.'
(Caio F.)


Londrina, 23 de setembro de 2010.


Querido R...,

Quero te pedir perdão por não ter sido boa o suficiente a ponto de te fazer perder o medo de se apaixonar.

Pior mesmo é não sentir!

Melhor viver sendo abandonado, do que viver abandonando, do que não ter coragem pra ir em frente quando algo ameaça sua individualidade. Você se protege dos sofrimentos, mas descarta emoções maravilhosas, como as que eu sentia (e sinto) por você.

Nada melhor que esperar o dia inteiro pra ouvir tua voz do outro lado da linha me perguntando como foi o dia. E quando nos encontrávamos, ver o seu sorriso lindo. E rir até das piadas mais sem graça. E sentir aquela saudade que chega a machucar, mas que vale a pena porque depois tem o reencontro. Essas pequenas coisas que nos fazem ter certeza de que viver é realmente INCRÍVEL. Ainda que a mesma boca que tantas vezes me tirou o fôlego, profira palavras que me façam chorar por dias. Ainda que esse mesmo sorriso que tantas vezes trouxe o meu sorriso à tona seja contraído longe de mim e perto de outras... Ainda que essa saudade doa e eu não saiba sequer se haverá um reencontro.

Quer um conselho de quem já quebrou a cara inúmeras vezes nessa vida, e ainda tem a certeza de que amar é a melhor saída? SE APAIXONE! E quebre a cara, e sofra. Porque isso é viver. Voce precisa reagir, ninguém vai viver sua vida por você. Você se esconde tanto atrás dos seus traumas que não se permite viver. Voce não machuca os outros, você so se machuca. Me diz se assim você vive em paz?

Promete que vai se cuidar? Que vai aprender a gostar das pessoas, que vai se permitir, que vai viver? Promete? Promete que nunca vai deixar que te digam que se apaixonar é um inferno, porque quem diz isso acabou de sofrer uma decepção, mas com o tempo vai mudar de idéia. Promete que nunca vai deixar que te digam que rir a toa é parecer ridículo. Promete que vai quebrar alguns dos seus paradigmas e preconceitos, e eu te garanto que você vai ser muito mais feliz. Promete que nunca vai deixar que te digam que sua filha não é prioridade, porque ela é o seu tesouro, o seu maior presente, independente das circunstancias, ela é um presente de Deus pra você, pra sua Irmã, e eu não tenho duvidas, pros seus pais. Ela é uma princesa, a SUA princesa. Promete que não vai mudar nunca sua essência, não vai se envenenar por gente que não é feliz e não quer que as outras pessoas sejam. Eu sei que você é uma pessoa boa. Promete que vai continuar acreditando nas pessoas, ainda que isso custe caro?

Promete que vai ser muito feliz?

Eu prometo que vou me cuidar.
Tem gente que endurece com o tempo, que deixa de ver beleza nas coisas simples, que deixa de acreditar. Eu não sou tão inteligente assim. Certas coisas em mim são imutáveis. Minha essência sempre fica. Promete não ser tão inteligente?

Fique com Deus e se cuide! Lembre-se que você tem uma princesa que precisa que você esteja bem, sempre!

Eu aprendi muito com você. Muito obrigada por ser tão especial na minha vida.

Vou sentir saudade!



De quem vai te levar pra sempre na memória...

Taila Ueoka.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mais uma dose!

"Nunca, jamais diga o que sente.
Por mais que doa, por mais que te faça feliz.
Quando sentir algo muito forte,
peça um drink."
[Caio F.]


- Uma dose de tequila pra esquentar e afugentar os problemas!
(Aquele velho ritual de sempre: sem limão sem sal... um gole, um chiclete, um cigarro.)

Logicamente, irão me dizer que beber faz mal, que fumar faz mal...
Quem me conhece sabe que não sou o melhor exemplo de alimentação saudável e estou bem longe de ser eleita a garota-geração-saúde. Por que vocês estão preocupados comigo?

Quem se preocupa com alguém que pra suportar os dias difíceis - como tem sido esses últimos - passa o dia inteiro tomando pó de guaraná pra se manter acordada e rivotril à noite pra conseguir dormir?

- Faz frio ainda e peço mais uma dose de tequila. Fumo um cigarro atrás do outro.

Começa a me faltar concentração, no entanto minha inspiração voa a mil por hora.

Faz frio, faz chuva, faz sol, faz tempo...
E sinto algo que não sei explicar: mais que lembrança, mais que vontade, mais que saudade dos dias que ficaram pra trás e que se perderam irremediavelmente. Na verdade, sei muito bem o que sinto, sei muito bem explicar... deveria ter vergonha de dizer que o que sinto agora é desejo? Me desculpem, sinto muito por dizer a verdade! Não me importo com o que vão pensar de mim.

- Mais uma tequila!

O frio começa a passar e ainda insisto em te querer e me assumo inteira sua.
Procuro meu celular... sabendo que não é nada inteligente de minha parte. Não consigo pensar muito a ponto de parecer inteligente – a tequila começa a fazer efeito.
Quero te ligar, mas não vou me render a um desejo que passa amanhã, porque sempre passa, eu sei. E sei mais, enquanto eu te imploro pra voltar – não só pra minha vida, mas pra minha cama – você me implora pra te deixar em paz!

Estou aqui pra dizer sem piedade tudo o que eu penso, quero cantar as músicas que eu ouvia enquanto seu abraço ainda estava ao meu alcance, quero confessar meus pecados, quero uma lista dos crimes que me acusam de ter cometido – mas, meu bem, já dizia a canção: ‘crimes perfeitos não deixam suspeitos’ (essa música não me sai da cabeça agora.), quero que suspeitem da minha sanidade, quero que atestem minha falta de lucidez. E quero que fique bem claro: eu penso muito em você.

Não encontro meu celular e te quero.

- Tequila!

Certo, ninguém tem a obrigação de satisfazer o meu desejo, só porque eu acho que meu desejo é absoluto!

Acho que nunca fui tão direta em toda minha vida! Escrevo pra que você me leia. E não entendo mais o que escrevo, minha letra sai tremida no papel. Faz calor e eu tremo. E eu temo. E eu peço: devolva-me minha lucidez!

Na cabeça: ‘pra ser sincero não espero de você mais do que educação beijo sem paixão crime sem castigo aperto de mão um dia desses num desses encontros casuais talvez eu diga minha amiga pra ser sincero prazer em vê-la até mais crime perfeito crime perfeito crime perfeito’.
Versos soltos ecoam minha mente e se misturam num turbilhão de pensamentos, sentimentos, ferimentos, lamentos, remendos. E o que sobrou de mim? Só poderei contabilizar depois que o furacão passar. Me despedaço, me despeço, meço minha dor com fita métrica.

- Meia dose de tequila. Só meia porque o cigarro já está acabando. E agora começa o desespero.

Tenho tentado fugir da dor me apegando ainda mais àquilo que eu trago de ruim. Trago o último cigarro com tanta vontade, que meu desejo de você quase se esvai e dá lugar ao meu vício. Quase. Eu não aprovo minhas atitudes. Não aprovo meu jeito de continuar. De fugir do mundo pra fugir da dor e me manter anestesiada. Te troquei por outros vícios.

Não durmo direito, não como direito... sobrevivo, esperando que isso passe logo.

Lembrei-me agora de quando viajava com meus pais, eu no banco de trás perguntando de meia em meia hora: “ta chegando?” “Falta muito?”... São essas, as perguntas que eu faço ao tempo. Mas ele só resmunga – nenhuma resposta.

Estou meio tonta e sinto sua falta. Imploro por um beijo e sei que você não vai voltar.

- Chega de tequila!


Taila Ueoka.