|borboletas-sempre-voltam|

|borboletas-sempre-voltam|

sábado, 21 de agosto de 2010

Rendo-me ao tempo...



"De qualquer forma, um dia seremos poeira.
Quem é você? Quem sou eu?
Sei apenas que navegamos no mesmo barco furado, e nosso porto é desconhecido.
Você tem seus jeitos de tentar. Eu tenho os meus.
Não acredito nos seus, talvez também não acredite nos meus próprios.
Não lhe peço que acredite em mim."
(Caio F.)


Eu não queria que você sumisse da minha lembrança. E eu sei que isso logo irá acontecer. Todo mundo deixa de sofrer num belo dia. Num belo dia o coração abre de novo as portas e se prepara e arruma a casa pra uma nova paixão. E toda aquela saudade vira só vazio.
Vai chegar um dia que pra me lembrar do seu rosto eu terei que ver suas fotos. Por enquanto vejo você em todo mundo. Por enquanto me controlo pra não ver suas novas fotos - não quero saber dos seus sorrisos contraídos longe de mim, embora continue querendo que você sempre tenha motivos pra sorrir e que seja muito feliz. Mas eu sei que uma hora vai passar. E eu não me perdoarei por ter deixado escapar por meus dedos e seus medos o rascunho de uma história que poderia ter se tornado a mais linda história das nossas vidas. (Se eu continuo exagerando assim, é porque ainda há algum sentimento – ou loucura, chame do que quiser.) E que minha loucura seja perdoada, porque eu fui capaz de perdoar sua covardia. Eu fui capaz de aceitar tua escolha, de respeitar tua confusão. O meu querer não tem força suficiente pra tornar real essa história. Eu fiz minha parte. Eu sempre faço minha parte. Será que você é tão incapaz assim? Não. Você é um cara inteligentíssimo, quando quer... Faltou querer.
E eu não vou conseguir reter seu cheiro, seu gosto, seu rosto por muito tempo na minha memória. E eu queria te guardar pra sempre. Mas como diria Caio: ‘a gente se esquece, sabendo que ta esquecendo. ’ E é por querer mesmo, por opção. A gente sofre por querer, mas deixa de sofrer também quando quer.
Quando vê que realmente não vale mais a pena tentar... eu suportaria prolongar esse meu sofrimento pra te esperar. Mas eu não posso esperar por alguém que não tem coragem de ‘sacrificar-se’, porque eu sempre me dôo inteira.
E eu sei que logo eu estarei rindo do que passou, que logo trocarei datas e que mais pra frente poderei até trocar seu nome. E quando esse dia chegar o momento terá passado, já não haverá chances de reconciliação, já não terá mais volta.
Porque eu não vou querer lembrar que eu não consegui escrever um final mais bonito pra essa história. Que não saiu nos livros, que não virou novela, que não rendeu.
E, finalmente, rendo-me ao tempo.


Taila Ueoka.

sábado, 14 de agosto de 2010



"E não era impressionante como um sentimento podia se transformar em água,
e ir pingando por uma rua toda feita de pedras?
Eu pisava em lágrimas, poeiras e pedras,
sem me lembrar que as lágrimas também evaporam e depois viram nuvens.
As nuvens que, algum dia, desceriam furiosas,
castigando janelas e portas,
enquanto eu tentasse salvar, no colo do meu vestido,
a
mais bonita de minhas histórias."
(Rita Apoena)
[Era pra ser do Caio, mas nada melhor que esse trecho de Rita pra descrever meu momento!]


Não venha me falar que você tentou.
Eu queria muito saber quem é ela, que parece ter conseguido tão facilmente o que eu arduamente tentei. E tentei em vão. E tentei porque ingenuamente pensei que eu pudesse te render antes de me render. Que eu pudesse te fazer esquecer o seu passado antes mesmo que eu pudesse esquecer o meu.
E eu que achei que o meu passado era complicado, que meu relacionamento anterior que tinha me devastado inteira, que tinha me feito perder o rumo e a vontade de viver, tinha ao menos servido de lição pra que eu entendesse que gostar de alguém é transformar qualquer vida em inferno.
Gostar de alguém é transformar várias vidas em inferno.

Taila Ueoka.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Estava parado no centro da grande luz clara
e limpa sem poder voltar atrás.
Isso era tudo.
Eu precisava me movimentar dentro dela.
Era com esse movimento dentro dela que alcançaria outras figuras,
talvez as dos mosaicos,
que não seriam figuras pois não teriam acontecido num tempo passado,
mas coisas reais que estariam acontecendo agora,
num tempo presente.
Não mais como se estivesse dentro de um caleidoscópio,
e sim como se possuísse o grande poder de construí-lo eu mesmo,
escolhendo cada conta,
cada pedacinho de vidro ou papel que colocaria ali dentro.
Caio F.


Chega uma hora em que você precisa parar de olhar pra trás com aquela sensação de que devia ter tomado outra escolha, que seria melhor se tivesse optado pelo caminho da esquerda e não o da direita, que poderia ter sido diferente se fosse mais cruel, que estaria melhor se não tivesse tentado ser tão bom, que deveria ter ouvido alguns conselhos que jogou fora, que deveria ter ignorado alguns conselhos que seguiu.

Basta de viver com essa saudade besta do que se foi e não volta, com essa saudade que chega a doer, que escraviza, que se torna parte da vida, que já tem um espaço reservado e não deixa espaço pro que é novo entrar.

Chega de guardar a roupa velha no armário... sabe aquela roupa que não te entra mais, que no fundo você tem esperança de, quem sabe no próximo mês com aquele regime milagroso daquela revista, você emagreça dez quilos e caiba na velha calça... enquanto isso suas roupas novas ficam esparramadas pelo quarto porque as velhas roupas estão lá no guarda-roupa ocupando espaço. E você também gosta das roupas novas. Talvez, até mais do que das velhas. Mas você ainda tem aquele bendito apego. Agora é hora de aprender a se desapegar do que não te serve mais e se apegar ao novo.

Chegou a hora de dizer ‘basta!’, chegou a hora de criar coragem e jogar fora as velharias, as lembranças de um passado bom guardadas em caixinhas, em muitas caixinhas, e as lembranças de um passado ruim espalhada pelo corpo e mente e alma. Porque as feridas estão ali, algumas cicatrizadas, outras ainda não!

Mas ainda assim, chegou a hora de dizer adeus ao que passou! E aceitar o presente de braços abertos! Aquele que vem no embrulho mais bonito e com lacinho vermelho.

Meu querido presente: seja bem vindo!


Taila Ueoka.