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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Das despedidas...


"Como queria tanto poder te avisar:
vai pelo caminho da esquerda, boy,
que pelo da direita tem lobo mau e solidão medonha."
(Caio F.)


Ela sempre teve medo das despedidas. SEMPRE!

Desde pequena havia se acostumado com o fato de que as pessoas sempre vão embora, uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, porque querem ou precisam ou até mesmo porque Deus chama.


Da primeira vez que lhe doeu uma despedida, ela ainda nem sabia escrever tchau... tinha três anos e viu seu pai embarcando pro outro lado do mundo. Naquela época as distancias eram maiores, suponho que as dores também. Embora ela se lembre pouco do que havia sentido, ela sabia que não queria ter que enfrentar mais nenhuma despedida. Mal sabia ela que a vida é assim. Que aquela seria a primeira de muitas outras partidas que lhe doeriam pra sempre.

Com o tempo aprendeu que cada pessoa faz o seu destino e que precisam seguir em frente, que o motivo pouco importa. O importante era não deixar as pessoas se tornarem tão importantes a ponto de lhe ferirem com um adeus.

Passou a ter medo de se aproximar, de cativar e de ser cativada pelas pessoas. Começou a enxergar nas pessoas uma potencial causa de dor. Teve medo dos relacionamentos, de se apegar, de dar poder pra que as pessoas a ferissem. Sempre controlava, colocava limites. E quando percebia que a outra pessoa havia ocupado um espaço maior do que ela previa, se desesperava. Ela sempre teve medo das despedidas. E por fim, quem partia era ela. Era ela quem ia embora esperando que lhe pedissem pra ficar!


Taila Ueoka.


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