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domingo, 6 de junho de 2010



"Eu mudei.
Embora continue o mesmo.
Eu sei que você compreende."
(Caio F.)



Ainda tem aquelas coisas escritas na parede do meu quarto... (Acho que você nem sabe disso).
E quando eu volto pra minha casa e releio o que escrevi há alguns anos, me sinto meio ridícula.
Se eu ainda sou a mesma de cinco ou dez anos atrás, por que será que aquelas frases que se encaixaram tanto na minha vida naquela época já não me servem mais? Ou será que eu não sou mais a mesma?
É, eu custo a crer no quanto mudei.
Me lembrei agora, que você ri quando eu falo algo e te lembra a menininha de algum tempo atrás. Você diz com tanta certeza, como se fosse pra que nós dois acreditássemos: ‘você não mudou nada, né’. E eu concordo. Aliás, concordava. Porque hoje, quando abri a porta do meu quarto e reli frase por frase... eu senti uma certa mágoa... o que fizeram de mim?
Naquela época eu ainda não escutava Los Hermanos... e eu aprendi a gostar deles sozinha... eu tinha uns 17... escutei no rádio: “não te dizer o que eu penso, já é pensar em dizer”, e isso foi o suficiente pra despertar meu interesse.
Acho que você também não sabe que eu perdi o cd deles que ganhei no meu aniversário. Juro que revirei a casa, meu quarto, minha caixinha de boas lembranças, e ele não estava em nenhum desses lugares... mas eu ainda (quase) lembro da música que você me “deu”... “Ouvi dizer do teu olhar ao ver a flor, não sei por quê, achou ser de um outro rapaz”, era essa? Não tenho tanta certeza. Eu não esquecia dessas coisas antes... custo a acreditar e me dói dizer que mudei...
Tenho conversado com tanta gente, e ainda assim tenho me sentido tão distante de todo mundo. E como vê, voltei a escrever... e não sei dizer se isso é bom ou ruim. Você certamente achará isso legal. Porque eu sei que você gosta quando eu provo pra mim que quem manda aqui sou eu, e eu me mostro inteira, sem medo nem culpa. Porque você sempre sorri quando me vê vestida de mim, sem máscaras, sem enganos, sem meias-palavras! E é justamente no momento em que escrevo, quando eu poderia ser qualquer coisa, ser qualquer outra, que eu sou eu mesma.
Do que eu era ficou a recordação... E o que me entristece é essa leve descrença no ser humano que eu não posso evitar - aprendi isso nos últimos anos. E você me diz que eu estou errada, que eu devo continuar confiando no ser humano. E eu - teimosa como sempre - te digo que continuar tão boba e perdida como antes, teria sido fatal. E você sabe bem do que eu estou falando!

Taila Ueoka.

Um comentário:

  1. Uaau, rsrs Quanta sensibilidade!
    "...Bela forma de me expressar sem
    pronunciar uma sílaba se quer..."

    Bonito como escreve!

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