|borboletas-sempre-voltam|

|borboletas-sempre-voltam|

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

BLOG NOVO!

Quem me acompanha por aqui, pode acompanhar a partir de agora também no meu outro blog:
http://madamma-butterfly.blogspot.com/.

Beijos!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E se acabar a bebida?

E se acabar a bebida?
Desfaz tua pose de homem sério. E veste aquela camiseta surrada da tua banda preferida. Bebe mais um gole de cerveja enquanto eu acendo mais um cigarro. E tento falar com a cabeça já cheia de álcool, sobre algum assunto fútil e as dificuldades do meu dia-a-dia nessa cidade morta.
Sinta-se a vontade. Você já bagunçou minha vida, não faz mal bagunçar meu cabelo.
E se acabar a bebida?
Mais um gole de cerveja e um brinde a nós dois. Isso soa um tanto irônico, não? E eu adoro tua inteligência escondida nas tuas frases sarcásticas que só eu sou capaz de entender.
Olha nos meus olhos e tenta descobrir tudo aquilo que eu não vou te dizer, porque amanhã você vai me dizer que foi culpa dos goles a mais.
Olha nos meus lábios e analisa esse meu sorriso ensaiado de mulher controlada enquanto a verdade quase salta dos meus olhos, e você não percebe, porque não aprendeu a me ler.
Aproveita esse momento de delírio e me diz aquelas frases prontas que eu amo e que finjo acreditar. Bebe mais um gole de cerveja enquanto eu ensaio o próximo passo para não cair mais uma vez nessa armadilha do destino.
Coloca aquela música do Engenheiros que tocou um milhão de vezes, naquele dia em que você bateu na minha porta pela primeira vez e me trouxe mais cigarros e cervejas para brindarmos nós dois.
E se acabar a bebida, eu me pergunto mais uma vez?
Em quem ou em que, colocaremos a culpa desse encontro sem sentido só pra matar a sede de nós que ficou em você e em mim?
Acende um cigarro pra nós dois. Enche meu copo. Me distrai com alguma piada ridícula enquanto eu rio e finjo achar graça.
Me dá um abraço. Me chama de sua. Me peça desculpas por mais essa recaída. E prometa que isso nunca mais vai acontecer, até que você se sinta perdido de novo e apareça na porta da minha casa, com toda essa cerveja, fingindo querer ouvir meus conselhos para acabar dormindo na minha cama.
E se acabar a bebida?
Agora já é tarde demais. Deita do meu lado, acende mais um cigarro e me empresta o ombro pra eu repousar a cabeça, enquanto você, mais uma vez, bagunça meu cabelo e minha vida.

Do amor que inventei.

Eu só precisava pegar emprestado o amor que eu senti por você, e me imaginar naqueles dias, com aquela felicidade tão inocente, com tudo aquilo que eu acreditei que fosse durar para sempre, mas que no fundo era só mais uma ilusão.
Minhas ilusões alimentam meu desejo desesperado de realidade.
Minhas ilusões viram palavras.
E EU TE OLHO COM AQUELE OLHAR ANTIGO QUE FAZ BROTAR POEMA E SORRISO.
Não sei caminhar tranquila no silêncio. Por isso não te deixo partir, não te deixo morrer.
Ninguém mais cabe nos meus versos. Eles são feitos sob medida para você. Ainda que você tenha mudado. Ainda que eu tenha mudado.

Toma, pega menino. É seu.
Todas essas palavras são tuas e de mais ninguém.
Faz disso uma música. Enfeita a parede do teu quarto. Ou joga fora. Tanto faz.

É preciso paixão para viver, ainda que inventada.
E minha alegria é trocar lágrimas por palavras.
Porque eu não fui capaz de me apaixonar desde então. Então te preciso. Só para guiar os traços dessa caneta que faz rascunhos do que eu te escreveria se ainda te amasse. Quando eu não puder mais fingir que ainda te amo, quem é que vai ocupar teu lugar? Para quem eu escreverei esses versos e vestirei sorrisos?

Não, não posso imaginar o que seria de mim sem ter o que escrever.

Me desculpa, se na minha memória confusa, é você quem desperta meu desejo de falar e falar e falar e falar e falar sobre o amor. Porque isso é tudo que posso. Já que não sei mais amar de verdade.
Me permita te jurar amor e te fazer palavra até que um outro amor me guie. E eu prometo te deixar partir assim que minha mente cansada de tanto amor inventado me permitir tirar o coração da gaveta e jogar fora as tuas cartas que lá estão.

Eu só precisava pegar emprestado o amor que eu senti por você e me despejar da melhor forma que conheço: palavras.

sábado, 26 de novembro de 2011

Lágrima...

Chorou todas as dores passadas e como se pudesse adivinhar o futuro, chorou também as dores que ainda estão por vir.
Mas ao ler o que alguém escrevera sobre ela, os cantos dos lábios se mexeram delicadamente, como se quisessem esboçar um enorme sorriso. O sorriso nasceu, meio tímido, um tanto sem jeito. Mas ninguém podia negar que aquele estremecer de lábios era uma tentativa de trazer o riso a tona.
Há tanto tempo deixara de viver seus sonhos e agora se descobria viva nos sonhos de outra pessoa.
Ela, que transformava seus romances impossíveis em literatura, se viu vestida de poesia pela primeira vez. E aquela sensação de deixar de ser personagem de suas próprias histórias - que eram tão tristes e passar a ser personagem da história de alguém que lhe via por outro angulo, que lhe desvendava como se fosse um mistério, que lhe dava novas formas e gestos - era absurdamente boa e assustadora.
Ainda que os sonhos fossem bons, ela sempre soube que tentar viver só na realidade, era sua maior loucura. Ninguém vive sem ilusões. Mas as ilusões que durante tanto tempo encheram páginas e mais páginas, simplesmente dançaram.
De onde brotava só risos, veio o choro.
A ilusão é bem mais atraente que qualquer realidade. E eu ainda prefiro a realidade nua e crua.
Já não sonho mais, porque sequer consigo dormir.
Ao novo autor de 'mim', me cabe dizer:
Faz de mim, em suas histórias, o que lhe for mais conveniente.


domingo, 2 de outubro de 2011

...

Diante de todo o desespero de olhar pra trás e não ter mais certeza se as escolhas que fiz foram certas, eu ajoelho e rezo. E peço perdão.
Depois de ouvir de alguém que eu tanto amo, o quanto eu fui egoista toda minha vida, enquanto eu achava que fazia tudo pensando nos outros, me bateu a duvida... e essa possivel realidade me doeu como uma faca encravada no peito.
Eu não soube me fazer entender?
E se eu for mesmo o monstro que ele me falou?
Essa duvida me mata, porque apesar de todas as minhas escolhas e suas consequencias, até ontem a certeza de que eu havia sempre feito tudo que pude pelos outros me guiava e me deixava em paz.
Como posso viver em paz agora, se quando pensei ser paz para os outros, eu só estava semeando guerra??

domingo, 4 de setembro de 2011

...

Mais que a força de qualquer palavra capaz de estampar no meu rosto um sorriso.
Mais que a minha força em me manter afastada de qualquer possibilidade de amor, protegida em minha redoma invisível, de qualquer felicidade ou infelicidade que um novo amor pudesse me trazer.
Mais que a ridícula sensação de poder se tornar idiota de novo. De sentir as mãos suando, as borboletas no estomago e todas aquelas sensações que mais parecem doença do que sentimento.
Mais que minha razão, gritando escadalosamente para eu me manter afastada.

É surpreendente como ele consegue provocar o canto dos meus lábios e me fazer esquecer de todo o manual de instruões e conselhos de milhares de mulheres desiludidas, para não me permitir jamais.
Porque, afinal de contas, por quantas vezes nosso coração pode se quebrar e no entando permanecer intacto?

Porque outro dia eu vi o cara do sorriso mais lindo e meu coração não doeu e eu pude, enfim, respirar aliviada. Aquela dorzinha que me acompanhava há mais de um ano sumiu e deixou só um vazio bom. Um poder olhar pra trás ainda mais consciente de que o nosso futuro não era feito do plural que eu queria. De que o meu passado era o passado mais recheado de momentos incríveis e pessoas incríveis. E lugares incríveis.
Porque nesse dia eu entendi que o cara que eu julgava perfeito, não era perfeito pra mim. E que eu passava longe de ser a garota perfeita dele.
E pensar nisso hoje, é só constatação, é só um deixar o caminho aberto e me preparar paras as próximas desilusões. Pensar nisso hoje é meu presente.

Que sorte tem o novo moço, que novamente me arrancou um sorriso sincero... que sorte tenho eu que percebi que ainda posso sorrir bonito pra vida, sem me importar com os tropeços passados.
Eu joguei fora as armas, eu destrui aquela redoma invisível. E eu quero que o amor me alcance, da forma que tiver que ser e se tiver que ser.

Não tenho mais tempo para fugir do tempo. Quero me permitir. Ficar a mercê de todas as emções que a vida pode me proporcionar, se eu não me proteger tanto.

Mais que todas as forças contrárias, ele me trouxe de presente a inspiração que há tanto tempo não me visitava....

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pro moço que cantava!



Não sei que dia é hoje. Mas me lembro bem que num dia qualquer como esse, há alguns meses atrás, eu me sentei com papel e caneta nas mãos disposta a escrever algo pro moço que cantava pra mim todos os dias, mas as palavras teimaram comigo e não borraram o papel. Tudo o que eu consegui naquele dia foi derramar lágrimas de decepção pelo moço do sorriso bonito que me impedia de olhar pros lados com olhos e ouvidos atentos e reparar na doçura daquela voz que cantarolava canções de fé, força e amor pra mim.

Eu fui incapaz de notar com calma alguém que me enxergava tão bem e me via com a paciência de uma criança ingênua e conseguia notar que eu era muito mais do que o moço de sorriso bonito via ou merecia.

Eu tive medo de ir com ele pra bem longe daqui, onde nem o céu fosse o limite. Eu não ouvi as coisas que ele me dizia quando não falava nada, quando só olhava pra mim. E ele que esperou o tempo falar por ele, não teve o tempo a seu favor. E o tempo passou. Pro moço que canta bonito, pro moço que sorri bonito e pra mim.

A verdade é que eu não me achava merecedora de ser notada com tanta calma. Ele me olhou devagar, quando tantas pessoas nessa vida me olharam depressa demais.

Hoje, o moço de sorriso bonito, continua sorrindo pros outros, mas eu que tanto fui sua fã, depois de muitas lágrimas, reparei que há muitos outros sorrisos bonitos por ai. Sorrisos que, ao invés de me fazerem chorar, me fazem sorrir também. Fazem do meu sorriso, um sorriso tão bonito quanto o dele.

Hoje, o moço que canta continua cantando e adoçando a vida de muitas pessoas, mas ele já não canta mais pra mim. E o que ficou do carinho que eu sentia e ainda sinto por ele, está aqui. Não em forma de arrependimento por tê-lo deixado passar por minha vida sem a devida atenção, mas em forma de gratidão.

Talvez essa não seja a melhor forma de agradecer alguém pela amizade devotada. Mas foi a melhor forma que encontrei pra dizer: obrigada, moço que canta, por ter insistido em mim, quando tantos outros (e até eu mesma) já havia desistido.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobre o sorriso dele...


Não sou só eu que não consigo dormir... o cachorro do vizinho late a cada dez minutos e me atrapalha... era pra ser só eu e meus pensamentos, eu e meus devaneios, eu e minhas tolices despejadas no papel. Os latidos travam meus pensamentos ao meio, confundem meus devaneios e me impedem de esparramar palavras que talvez formem algum texto sem sentido que eu irei reler em noites como essa de insônia.

Quase não penso mais nele. Mas quase não é o suficiente. Eu deveria dizer nunca mais pensei nele, o que seria uma mentira que não enganaria quase ninguém. Mas eu ainda ando, de vez em quando, espiando as fotos pra relembrar os sorrisos. Houve um tempo em que eu não via brilho nenhum no olhar dele. E cheguei a pensar que a falta de brilho pudesse ser a minha falta em sua vida. Não era. As fotos voltaram a estampar um brilho imenso no olhar, uma felicidade que (eu não minto) contagia até mesmo a mim. O sorriso voltou a ser aquele sorriso lindo que desarma qualquer pessoa mal humorada, infeliz ou triste. O sorriso ainda me desarma. Foi o sorriso dele que me doeu pra sempre.

O cachorro resolveu fazer silencio justo agora que eu gostaria que ele latisse e atrapalhasse meu pensamento. Se eu me distraísse talvez parasse de pensar nele. Ou é ao contrario? Quando me distraio, volto a pensar nele? Nem sei mais.

Acho que já passou. Já parei de pensar. É que nessas horas vem uma voz de dentro e me diz que já era, não adianta pensar, chorar, torcer, rezar, mudar. Não fomos feitos um pro outro. E eu não saberia fazê-lo tão feliz como ela faz. Eu já tive minha chance. Não perdi a chance, não desperdicei, simplesmente não fomos feito um pro outro fora da cama. Nem nela talvez. Quem sabe numa outra vida eu tenha mais sorte.

3x4


Acabei de ler um livro e comecei a ler outro que me fora indicado há tempos por um amigo, mas que eu havia deixado jogado numa gaveta qualquer. Não sei o que está se passando na minha cabeça, e por que escrever algo justamente pra você. Como se você ainda tivesse importância, como se sua existência me fizesse alguma diferença. Eu bani você da minha vida quando quase acabei com minha vida por você. E por que essa vontade, logo agora, depois de anos, de escrever pra alguém que nunca teve interesse nenhum nos meus rabiscos e que nunca me compreendeu, quando na verdade, eu sei que meus devaneios não interessam a absolutamente ninguém.

Voltei a me sentir como a menininha estranha e patética de oito anos atrás. E não há como pensar no meu passado, nem analisar todos os meus problemas de hoje sem lembrar de você.

Você me reduziu a nada para estar a sua altura. E hoje, enquanto te escrevo e talvez justamente por isso, pela primeira vez na vida eu mesma me rebaixo a sua altura. Sinto-me um verme e não me importo em escrever para outro verme. Tão desmerecedor de amor e/ou de ódio como milhares de pessoas no mundo.

Eu tinha só quinze anos. O que eu faria se você não tivesse entrado na minha vida naquela época? Eu teria evoluído? Teria aprendido a mentir? Teria uma vida hoje pelo qual eu me orgulharia de fato? Ou eu estaria ainda pior? A verdade é que a gente nunca sabe, só podemos imaginar o que poderia ter sido e não foi. Antes não nos fosse permitido nem imaginar.

Desde quando eu tenho isso, essa deficiência no sentir? Desde quando eu me sinto esse lixo, esse monstro, eu era assim antes de você?

Quem eu seria hoje sem os hematomas visíveis que você deixou espalhado pelo meu corpo e sem os traumas invisíveis que marcam minha alma?

Eu que já me senti a melhor pessoa do mundo, eu que já agradeci a Deus por todas as vezes que Ele agiu em minha vida, me sinto, hoje, desonrada de suas graças.

Não estou escrevendo para te ofender, para me vingar, ainda que pareça exatamente isso. Não foi minha intenção quando comecei a escrever, porque como já disse, não sei qual é minha intenção de fato. Talvez eu esteja mais uma vez me torturando e escrever sobre você tenha sido mais uma das minhas formas de manter minhas dores e fantasmas vivos, como que por castigo. Estou me castigando por estar viva e por me sentir morta. É isso? Eu não tenho respostas, escrever não vai me trazer respostas, não vai me trazer alivio, não vai me fazer sentir melhor. Não preciso rebaixar ninguém para me sentir melhor. Nunca fui de rir com as desgraças alheias. Humor negro nunca me atraiu.

É que eu não gosto da mulher que me tornei. Ou melhor, da mulher que sou agora. Talvez eu ainda tenha salvação. Eu queria saber e talvez só você possa me responder: antes eu era uma boa pessoa? Essa resposta só alguém como você pode ter... alguém quem me conheceu tão bem, que me fez de fantoche, que sabia tão genialmente meus pontos fracos, deve ter tido tempo de conhecer meus pontos fortes. Foram por eles que você se apaixonou, não?

Não sei se você se perdoou pelo que fez, não sei nem se algum dia você se sentiu culpado por tudo que aconteceu. Mas queria muito saber se antes de tudo aquilo eu era melhor. Essa minha tendência à tristeza sempre existiu? Eu não me lembro de querer morrer antes dos 15, antes de você. Na minha cabeça tão atormentada eu passei a pensar em suicídio depois que você me fez perder o amor na minha vida. Porque você se tornou maior que minha própria vida, porque eu aceitava as marcas que você me deixava e voltava pra você no dia seguinte, sentindo o mesmo amor que sentia antes. O amor não diminuía, quando tinha que diminuir. Uma pessoa normal colocaria um basta. E eu fingia que nada havia acontecido e corria pros seus braços como se você fosse o melhor homem do mundo. Que tipo de pessoa eu era? Talvez eu nunca tenha sido normal. Essa suposta verdade me parecia tão dura antes, mas eu já posso começar a aceitar.

Faz quanto tempo que eu ando a beira do abismo? E se não foi você o causador disso tudo? Como eu me tornei isso? Como eu aprendi a me odiar?

Eu não sou triste sempre. Eu tenho fases. E eu sempre saio de todas as minhas crises. Acho que só estou assustada porque essa está demorando um pouco mais. E talvez tenha sido só o desespero que tenha me feito escrever logo pra você. Logo você que nunca se sentiu um lixo por ter feito sentir-me um lixo. Logo você que fez o que fez e achou que era tudo o que eu merecia. E eu não te vejo com maus olhos por isso. Eu também, na época, achava que eu merecia tudo aquilo e mais. Merecia a morte. Tentei até, você lembra? Você não levou muito a sério, eu tinha uma alma dramática e aquilo para você, foi só mais um dos meus shows, que no fim, não deu em nada. Afinal, estou aqui ainda.

Quando tudo aquilo aconteceu e eu quis morrer ninguém notou que eu já havia perdido parte de mim. Essa parte faz falta agora, sabia? Voltar do hospital e encarar as pessoas com toda a naturalidade com que eu encarei já era um principio de loucura. Depois de quatro meses eu estava de volta à vida, aos amigos, velhos e novos, a faculdade, ao trabalho. Eu melhorei de verdade, eu voltei a enxergar a vida com cores ou eu só fingi? Será que em algum momento da minha vida eu me achei digna de viver? Ou eu só sou uma farsa e descobri só agora que a mascara que eu usei, quebrei, remendei, e voltei a usar já não tem mais conserto. E não quero usar nenhuma outra mascara, porque aquela antiga, já esteve grudada a minha cara por tanto tempo que nenhuma outra mascara se encaixaria.

Levantar da cama, hoje, pra mim, é um sacrifício tremendo, embora eu não tenha coragem suficiente para por um fim nisso. (Espetáculo que faria jus a uma vida sem nenhum brilhantismo.)

De onde você tira força para acordar no dia seguinte? Você não se sente assim como eu? A que ponto do fundo do poço eu cheguei que ninguém mais me alcança? Não há corda que chegue até aqui. E é por isso que falo com você. Sim, deve ser por isso. Porque eu acho que só você está a minha altura agora. Porque só você, pra mim é tão verme quanto eu nesse momento. Mas você esta ai, rindo da vida, brincando com a felicidade, enquanto eu estou aqui duvidando da minha lucidez.

Eu estaria melhor agora, se tivesse aprendido a mentir, a manipular as pessoas e seus sentimentos, a rir da cara da tristeza, a caçoar da dor alheia?

Quem eu seria se você não tivesse passado pela minha vida como um temporal?

Nunca me senti tão desmerecedora de um milagre pra me salvar, como me sinto agora. Eu não quero ser salva e por isso te escrevo, você seria a ultima pessoa que me salvaria.

Eu poderia ter te escrito em outras épocas, nas minhas épocas de glória, para te dar o gosto de ver que eu havia me tornado uma pessoa melhor. Mas só agora, no fundo do poço eu senti vontade de te escrever. Não sei o que estou tentando provar. Só queria achar a raiz do meu problema. Nunca desejei seu mal, embora a idéia de pensar que você estivesse bem, me incomodava, eu confesso.

E é engraçado, como cada vez mais me convenço de que todo o potencial de maldade que eu tenho em mim, jamais seria usado contra outras pessoas: de todo o mal que eu posso fazer, eu só posso fazer a mim mesma. Logo eu que tanto quis ser heroína, sou minha pior vilã.

E eu olho pra você, e te vejo tão afundado na lama quanto eu, tão sem salvação, tão sem fé, tão sem amor e me identifico com isso agora. Meus pés estão presos na mesma areia movediça e se eu me esforçar pra sair, afundarei mais rapidamente. É assim que você se sente? Se for, estou te dando um presente. Verá que não é o único que se sente assim.

Eu estou me auto-sabotando. A culpa é de quem? Eu procurei jogar a culpa em todos que algum dia me fizeram mal, mas não é justo, vamos falar bem a verdade. E eu deveria me perdoar então por estar acabando com tudo? Claro que não. Não mereço meu perdão. Eu só preciso me achar merecedora de algo bom. Todo mundo merece, até você merece. Por que eu não?

Eu sei que não posso passar minha vida procurando culpados pro meu fracasso e sei que foram minhas escolhas que me arrastaram pra cá, pra baixo, pro fundo do poço. Mas nada me tira da cabeça que se você não tivesse feito parte da minha vida, tudo estaria melhor. E se você me pedisse perdão por tudo que fez, me faria diferença?

Como você se sente? Você acha mesmo que eu merecia me tornar essa pessoa ridícula e vazia e cheia de medos, traumas e paranóias? Não há pior castigo no mundo do que ser eu. E que mal tão grande eu fiz pra merecer tudo isso? Estou me tornando alguém viciada em solidão. Não quero pessoas a minha volta, não quero que vejam meu estado. Todos estão acostumados com minhas risadas e não com meu choro. Quem sabe que no fundo eu sou isso aqui? Que no fundo eu não sou nada. Que no fundo eu me acho um verme. Quem sabe de tudo isso? Você sabia? Você suspeitava do fracasso que sou?

Não há soluções quando não temos mais esperanças. As ilusões dançaram, meu caro. Você mantém viva suas ilusões? Elas te fazem acordar no dia seguinte com um sorriso no rosto? Minha máscara já se espatifou no chão. Não me sinto mais na obrigação de provar pro mundo que eu sou boa, simplesmente porque agora eu sei que não sou. Essa é a verdade e você esteve certo todo o tempo. Eu sempre fui esse lixo aqui, muitas vezes fantasiada de pessoa normal, de qualquer um. Já acreditaram no meu personagem. Mas eu quero sair de cena, interpretar não me dá mais prazer. Nada mais me dá prazer.

Disseram-me que não posso fugir da vida pra sempre. Mas esqueceram que sou eu que mensuro quanto tempo dura meu pra sempre. Morrer acaba com o para sempre. Morrer acaba com tudo.